Universíade: atletas e voluntários contam trajetória até o ensino superior
Vinicius Lisboa* - Repórter da Agência Brasil
Edição: Graça Adjuto
*O repórter viajou a convite da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU)
A diversidade de rostos e cores nas camisas dos atletas universitários que participam da Universíade de Taipei guarda também um leque de trajetórias até o ensino superior, que diferem segundo fatores sociais, culturais e econômicos.
Ao longo da competição, que termina na próxima quarta-feira (30) na capital taiwanesa, a Agência Brasil conversou com atletas, voluntários e trabalhadores sobre como é o acesso, a permanência e as perspectivas de quem estuda em uma faculdade.
"Recebo um salário para estudar"

"Todo mundo recebe um salário para estudar que é o suficiente para mim, para viver e comer. Além disso, eu tenho um trabalho de 10 horas por semana, e posso viver e estudar sem problemas. Não tenho dificuldades", conta o atleta universitário.
Morador de um bairro que descreve como mediano em Copenhague, ele afirma que a escola pública em que estudou tem professores qualificados e o mesmo nível de ensino que as particulares. "É claro que você precisa ser aprovado para entrar na universidade. Basta isso, se candidatar e ser aceito. Mas tem vagas para todo mundo".
"Quando chove muito, os corredores alagam"

"A maioria das pessoas da cidade vai para a universidade, mas no resto do país, elas não vão tanto. O preço não é tão alto, mas elas precisam alugar um lugar para ficar, ou morar com alguém da família", conta Anjali, acrescentando que a universidade não tem alojamento.
A atleta, descendente de indianos que chegaram na época da colonização holandesa, afirma que, apesar de ter boas aulas na universidade, enfrenta problemas com infraestrutura,mesmo pagando mensalidade. "Quando chove, e chove seis meses por ano no meu país, a água alaga os corredores e faz goteiras. Temos alguns problemas. Poderia ser melhor".
"Faço medicina na melhor faculdade do país"

"Não foi difícil para mim entrar, foi só passar. E o que a faculdade custa, eu poderia pagar", conta ele, que não acredita que qualquer um teria a mesma oportunidade que ele em Uganda. "Alguns estudantes não conseguem passar, mas outros têm pais muito pobres que não conseguiriam pagar". Ele conta que a maioria dos alunos na sua faculdade não é rica, mas formada por estudantes de classe média ou alta.
Clinton explica que sua primeira opção foi cursar medicina, e que foi aprovado aos 17 anos para a Universidade Makerere: "Não temos tantas faculdades no meu país. Temos uma principal, que é de onde eu venho, e temos outras pequenas universidades particulares".
"Vale a pena ir para a universidade"

"Alguns cursos, como medicina, são muito caros. Mas o restante é normal. Nem todo mundo vai, mas para quem quer, tem vaga sim. A universidade é para quem quer estudar mais", diz ela, que acredita que a universidade faz com que as pessoas possam ter uma renda melhor e trabalhar em empregos que gostem.
"Vale a pena ir para a universidade. Estou até pensando em fazer outra depois". Nicolaescu, no entanto, ainda não sabe qual será o próximo curso.
"O problema começa antes da universidade"

"A educação aqui é muito melhor do que na América Latina, de modo geral. Aqui, por exemplo, eu tenho aula o dia inteiro. No Paraguai, minhas aulas eram à noite, porque trabalhar era muito importante para os alunos".
A universitária paraguaia acredita que o preço de uma graduação não é o maior problema no caminho das pessoas pobres em direção ao ensino superior. "Se estamos falando de pessoas, o problema muitas vezes começa antes, porque elas podem nem ter terminado a escola. Muitas saem da escola porque seus pais precisam que eles trabalhem".
Beneficiada por um convênio entre o Paraguai e Taiwan, ela acredita que sua vida é mais fácil que a dos estudantes taiwaneses que, apesar das boas universidades, enfrentam rigorosos processos de seleção.
"Depois que terminam a escola, eles fazem uma prova que define se podem estudar isso ou aquilo. Se a nota não for boa o suficiente, eles não podem nem se candidatar", diz ela, que acrescenta: "É por isso que tantos deles fazem coisas que não gostam. Por causa dessa prova, que define a capacidade deles".
"Meus pais querem que eu trabalhe para o governo"

"Os mais velhos mandam a gente estudar para entrar no governo e conseguir que eles paguem a universidade. E aí você tem um emprego até se aposentar", diz Lin, que conta com os pais para pagar o curso de engenharia civil e não pensa em seguir esse conselho. "Eu gosto disso, da experiência de estar aqui conversando com as pessoas. Eles querem que a gente só fiquei no escritório com papéis".
"Na minha família todos se formaram"

"As pessoas já têm que pagar para morar perto da faculdade. Muitas têm que se mudar e alugar uma casa perto do campus", diz a estudante de economia, de 22 anos, que destaca que o ensino superior é importante para conquistar um padrão de vida melhor em seu país. "Faz as pessoas conseguirem melhores empregos", acrescenta.
Fonte: EBC
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