Físico brasileiro Marcelo Gleiser recebe Prêmio Templeton por diálogo entre ciência e espiritualidade
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Físico brasileiro Marcelo Gleiser recebe Prêmio Templeton por diálogo entre ciência e espiritualidade
Astrônomo foi o primeiro cientista latino-americano a levar premiação de 1,4 milhão de dólares.
Também saiu nesta terça o 'Nobel' da matemática, entregue pela 1º vez a uma mulher, Karen Uhlenbeck
Andrew Hay (Reuters)
HANDOUTREUTERS
O físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser recebeu o Prêmio Templeton de 2019, no valor de 1,4 milhão de dólares, por seu trabalho, que mistura ciência
e espiritualidade. Gleiser, de 60 anos, é o primeiro latino-americano a
ser agraciado com o prêmio, que homenageia “uma pessoa viva que fez uma
contribuição excepcional para a afirmação da dimensão espiritual da
vida”, disse a Fundação John Templeton, sediada nos Estados Unidos, em um comunicado nesta terça-feira. Professor
do Dartmouth College, em New Hampshire, nos Estados Unidos, Gleiser
escreveu livros de grande vendagem e participou de vários programas de
televisão e rádio, debatendo a ciência como uma busca espiritual para
entender as origens do universo e a vida na Terra.
Entre os vencedores do prêmio, criado em 1972 pelo falecido investidor global Sir John Templeton, estão o Dalai Lama e a Madre Teresa de Calcutá.
Em 2018 ele foi concedido ao Rei Abdullah 2º, da Jordânia. “Trabalharei
mais duro que nunca para divulgar minha mensagem de unidade global e de
conscientização planetária para um público mais amplo”, disse Gleiser
em um comunicado sobre o prêmio divulgado por Dartmouth. Gleiser estuda a intersecção entre o que chama de “física do muito
grande” e a “física do muito pequeno” para reconstruir o início do
universo, informou Dartmouth. Além de pesquisar as origens da vida na
Terra, ele também analisa a possibilidade da vida fora do planeta, de
acordo com a faculdade norte-americana. Gleiser nasceu em uma família da comunidade judaica do Rio de Janeiro
e estudou no Brasil e no Reino Unido, disse a fundação, que incentiva o
diálogo e a pesquisa de temas que vão da evolução ao perdão. Ele entrou
no departamento de física e astronomia de Dartmouth em 1991.
Uma mulher ganha o ‘Nobel’ da matemática pela primeira vez
ANDREA KANE/INSTITUTE FOR ADVANCED STUDY
MANUEL ANSEDE
Há meio século, a norte-americana Karen Uhlenbeck,
então uma jovem matemática promissora, começou a procurar um emprego,
depois de duas breves trabalhos temporários como professora no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)
e na Universidade de Berkeley. "Disseram que ninguém iria contratar
mulheres, porque mulheres devem ficar em casa e ter filhos", lembrou em
um livro em 1997. Hoje, a Academia de Ciências e Letras da Noruega
decidiu conceder Uhlenbeck o Prêmio Abel 2019, considerado o Nobel da matemática, de aproximadamente 600.000 euros (cerca de 2,5 milhões de reais). "Eu sou matemática. Os matemáticos fazem pesquisas exóticas, então é
difícil descrever exatamente o que eu faço em termos simples ",
reconheceu a cientista no mesmo livro. Uhlenbeck nasceu em Cleveland há
76 anos, tem trabalhado com equações diferenciais parciais, desenvolvido
originalmente pela necessidade de descrever fenômenos como o
eletromagnetismo, mas que agora é usado em diferentes contextos, como o
estudo das formas de espaço em várias dimensões . A matemática americana é a primeira mulher a receber o Prêmio Abel,
criado em 2002 para celebrar o bicentenário do nascimento do matemático
norueguês Niels Henrik Abel. Outros 19 homens ganharam o prêmio desde
então. Já em 1988, Uhlenbeck denunciou que a discriminação explícita não
era o único obstáculo em sua disciplina. "Eu não consigo pensar em uma
mulher matemática para quem a vida tem sido fácil, esforços heroicos
tendem a ser a norma", explicou.
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