A ciência está ficando melhor em prever ondas de calor mortais
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A ciência está ficando melhor em prever ondas de calor mortais
Quem
acompanha o Tour de France notou uma mudança neste ano. Com os atletas
pedalando em temperaturas próximas dos 40 °C, o consumo de água tomou
proporções industriais, enquanto sacos de gelo apareciam em forma de
coletes ou ao redor do pescoço. As mudanças climáticas estão, a cada
ano, tornando as temperaturas mais extremas e as ondas de calor, mais
mortais, longas e comuns.
Prever quando uma chegará é um
dos maiores problemas para a ciência. Hoje, as previsões meteorológicas
cobrem, com certo grau de confiança, cerca de 10 dias. Mas a ambição dos
meteorologistas é aumentar essa janela, através do estudo da Oscilação
Madden-Julian. A
OMJ aparece sobre o Oceano Índico de tempos em tempos e se move para o
leste ao redor do planeta, espalhando problemas pelos trópicos por 2
meses. Por
conta do calor, o ciclista neozelandês George Bennett veste um colete
de gelo durante o Tour de France. (Foto: AFP/Getty Images/Jeff Pachoud)A
oscilação se comporta como uma onda que amplifica ou sufoca as
condições existentes mais próximas do solo, como se fosse um El Niño,
agindo a seis quilômetros de altitude. No Brasil, seus efeitos são
sentidos no Norte e no Nordeste, provocando seca extrema, chuvas
bíblicas e calor sufocante. Meteorologistas do Centro Nacional
para Pesquisa Atmosférica em Boulder (EUA) estão desenvolvendo um modelo
de previsão de curto prazo para prever o calor extremo do verão, usando
simulações de computador e observações meteorológicas de navios,
satélites e até mesmo de telhados. As previsões são, na verdade,
confirmações: os resultados se relacionam para trás no tempo,
testando com que precisão o modelo captura as ondas de calor
mundialmente, e não apenas no verão. O problema, porém, aumenta
quando se torna difícil até mesmo definir uma onda de calor. Não apenas
as condições variam dos trópicos às zonas temperadas, como as
temperaturas médias continuam subindo à medida que o planeta aquece por
conta do efeito estufa.
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