Pesquisa tenta entender o funcionamento do cérebro no espaço
Gerar link
Facebook
X
Pinterest
E-mail
Outros aplicativos
Pesquisa tenta entender o funcionamento do cérebro no espaço
Robinson Samulak Alves
21/10/2019 às 09:00
Para
descobrir quais são os efeitos da ausência de gravidade nas nossas
mentes, a professora do Departamento de Psicologia da Universidade de
Londres, Elisa Raffaella Ferrè, está trabalhando em uma pesquisa em "vôo
de gravidade zero". O objetivo é poder oferecer uma análise sobre como o
nosso cérebro se comporta e reage nas condições extremas do espaço. Apesar
de já se saber que o corpo humano pode sofrer diversos problemas
musculares, Ferrè diz ser importante entender como a falta de peso
altera a forma como nós interagimos com o ambiente. Para isso, seria
necessário estar na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em
inglês), ou participar dos voos que simular a ausência de gravidade. “Por
que embarcar em tal aventura? Essa é a fronteira final do entendimento
de como o cérebro pode se adaptar a novos ambientes e demandas em
microgravidade”, afirma Ferrè. Em um nível prático, é necessário
entender a resposta do cérebro à ausência de peso para garantir o
sucesso e a segurança de futuras missões espaciais tripuladas”.
Ferrè durante um dos voos de gravidade zero (Fonte: The Conversation/Reprodução)
Os
voos acontecem em uma aeronave Airbus A310 especial que alterna entre
subidas e descidas em um ângulo de 45º. Cada movimento dura cerca de 20
segundos e nesse período, todos que estão a bordo ficam sujeitos à
hipergravidade e microgravidade. Nestas condições, é como se o corpo
humano estivesse com o dobro e menos da metade do peso que ele tem na
Terra, respectivamente. Embora seja muito mais prático fazer os
experimentos nestas condições do que na ISS, Ferrè afirma que há pouca
margem para erros. Como cada descida dura apenas 20 segundos, tudo tem
que ser feito de maneira extremamente precisa. “Você não pode
cometer erros, então cada experimento, mesmo cada movimento, precisa ser
perfeitamente planejada”, explicou a professora. Esses movimentos
também devem estar perfeitamente sincronizados com quedas e subidas do
avião. Como uma dança, coreografamos e ensaiamos nos dias anteriores à
decolagem”. Parte
da pesquisa consiste em forçar as pessoas a compreenderem o quanto o
seu corpo está pesando em ambientes com diferentes forças da gravidade.
Os participantes precisam responder, enquanto estão em queda livre,
quanto eles acreditam que seus braços ou sua cabeça está pesando. Ferrè
explica que isso é fundamental para o sucesso de missões espaciais. “Embora
isso possa parecer óbvio, é importante porque as percepções do peso,
forma e posição do corpo são fundamentais para o movimento bem-sucedido e
as interações com o ambiente. O fato de estarmos pesquisando coisas tão
básicas, mostra o quão pouco sabemos sobre isso. Imagine, por exemplo,
que você é um astronauta operando alavancas para controlar um braço
espacial robótico. Entender mal o peso do seu próprio braço pode fazer
com que você puxe com muita força, balançando o braço na lateral da
espaçonave”. Ferrè diz que o futuro bem-sucedido da exploração
espacial irá depender do quanto nós somos capazes de lidar com essas
mudanças nas condições ambientais. Para ela, pesquisas assim são apenas o
começo de algo que deverá definir o nosso futuro.
Comentários
Postar um comentário
Todas postagem é previamente analisada antes de ser publicada.