Cientistas descobrem planta
na Antártida que pode servir como filtro solar
16 jul
2017
EFE/USACH
Santiago
(Chile), 15 jul (EFE). - Um grupo de cientistas da Universidade de Santiago, no
Chile, descobriu uma espécie de planta na Antártida que possui moléculas que
atuam como filtro solar e que poderia ser utilizada para proteger a pele de
seres humanos.
Em
entrevista à Agência Efe, o pesquisador Gustavo Zúñiga, da Faculdade de Química
e Biologia, explicou que foi possível demonstrar que a planta tem "a
capacidade de proteger macromoléculas como o DNA, que é parte fundamental da
célula, do dano que a radiação ultravioleta provoca".
Segundo
ele, a descoberta permitirá utilizar a planta para desenvolver protetor solares
com moléculas que são naturais, muito eficientes e com mais vantagens se
comparadas aos filtros que usam compostos químicos.
"Alguns
filtros usam substâncias químicas sintéticas que têm alguns efeitos negativos
para o consumidor", destacou.
A
Colobanthus quitensis tem o mecanismo de filtro solar desenvolvido como forma
de defesa para resistir ao ambiente extremo em que vive na Antártida.
Diferentemente de outros lugares do planeta onde os organismos estão expostos
de maneira mais constante à radiação ultravioleta, na Antártida ela se
concentra e se dispara na primavera e no verão, quando as plantas passam de
totalmente protegidas pela neve para completamente expostas.
"Os raios
ultravioletas são prejudiciais no nível celular e através destas moléculas a
planta evita ser afetada, até em altos níveis de radiação ultravioleta,
particularmente na primavera-verão", indicou Zúñiga.
A
pesquisa é um projeto que começou há 15 anos para estudar como as plantas da
Antártida respondem à mudança climática, mais especificamente ao aumento dos
níveis de raios UV que foram registrados nos últimos anos no continente branco.
Para isso, os científicos instalaram há quatro anos um laboratório na
Universidade de Santiago que tentava recriar as condições climáticas da
Antártida.
As
temperaturas do laboratório eram mais altas do que as da Antártida, mas
"por acaso", admitiu Zúñiga. Isso permitiu descobrir que as plantas
cresciam.
O
crescimento da planta permite fazer uma produção em escala e cultivá-la de
forma contínua, diferentemente do que acontece na forma tradicional, em que é
preciso esperar um certo período do ano para colher o material. Desta forma,
com a possibilidade de produzir a espécie, o pesquisador espera poder gerar, em
um futuro não muito distante, um protótipo que possa ser utilizado por empresas
para comercializar a descoberta.
Fonte: EFE
Comentários
Postar um comentário
Todas postagem é previamente analisada antes de ser publicada.