Bactérias percebem ambiente
como os humanos, revela pesquisa
15 ago
2017
EFE
Denver (EUA)
EFE/Stefan
Sauer
As
bactérias, assim como os seres humanos, sentem o ambiente, uma descoberta que
pode levar ao desenvolvimento de melhores medicamentos contra infecções
bacterianas, revelaram pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder,
nos Estados Unidos.
O achado,
divulgado nesta quarta-feira e considerado como "a primeira observação documentada"
do sentido do tato em bactérias individuais, é o resultado de um estudo
realizado com bactérias Escherichia coli.
Segundo
Giancarlo Bruni, do Departamento de Biologia Molecular, Celular e de
Desenvolvimento da universidade, tanto bactérias quanto humanos utilizam
pequenos impulsos elétricos gerados por íons cálcio para transmitir informação
do ambiente em volta ao sistema nervoso e sensorial (ou seu equivalente
bacteriano).
"Humanos
e bactérias não somos tão diferentes", afirmou Bruni sobre a descoberta
publicada na revista especializada "Proceedings of the National Academy of
Sciences" e feita em conjunto com Joel Kralj, Andrew Weekley e Benjamin
Dodd.
Os
cientistas já sabiam que as bactérias reagem ao ambiente e se comportam de
maneira distinta se, por exemplo, têm acesso ou não ao açúcar, ou se estão
sobre uma superfície rígida ou macia, mas o novo estudo percebeu que as
bactérias "sentem" o entorno.
Para
comprovar isso, Bruni e os colegas colocaram às bactérias dentro de uma
superfície pegajosa e as observaram com um microscópio. Se nada tocava às
bactérias, elas se mantinha "apagadas". Quando eram tocadas ou
empurradas, "acendiam", ou seja, emitiam uma tênue luz indicando
estava usando eletricidade para transmitir informação.
"Acreditamos
que o poderia estar acontecendo é que as bactérias usam esses sinais elétricos
para modificar o seu estilo de vida", explicou o professor Kralj, que faz
parte do Instituto BioFrontiers.
Isso
significa que bactérias e humanos compartilham "uma ferramenta comum para
sentir o ambiente circundante", e os sinais elétricos e as origens do
sistema neuronal humano, a partir de uma perspectiva evolutiva, se remontariam
a "milhares de milhões de anos", já que bactérias estão presentes
entre os organismos mais antigos do planeta.
Mas
também quer dizer que a "ferramenta comum" agora poderia ser usada
contra as bactérias, já que é exatamente essa ferramenta a que faz com que
certas bactérias sobrevivam aos antibióticos. Por isso, o passo seguinte do
estudo, segundo os investigadores, será determinar de que maneira as bactérias
usam os seus impulsos elétricos para infectar células humanas.
"Se
bloqueamos a atividade elétrica da bactéria, talvez elas tenham menos chances
de infectar, basicamente, porque não saberão onde estão e, portanto não saberão
como agir", afirmou Kralj.
Fonte:
EFE
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