Suíça abre caminho para
"Vale do Silício" de blockchain e criptografia
15 ago
2017
EFE
Céline Aemisegger, de Genebra
EFE/Zug
Tourismus/Daniel Hegglin
No cantão
de Zug, um dos menores da Suíça, está o "Crypto Valley", um local no
estilo do Vale do Silício dos Estados Unidos para empresas emergentes que
operam e inovam no mundo das tecnologias de blockchain e criptografia.
Conceito
conhecido em 2008 com a invenção da moeda digital bitcoin, blockchain é um
registro das transações digitais que transfere e armazena dados de maneira
segura, anônima e permanente, rompendo com a cadeia de intermediários.
Situado
no centro da Suíça, não foi por acaso que Zug tenha sido escolhido para criar o
"ecossistema líder em tecnologia blockchain e criptográfica do
mundo". A propaganda anterior do local é feita pela Associação Crypto
Valley, de promoção da região.
Zug é
conhecido pelos baixos impostos que atraíram empresas, bilionários e atletas. O
escritório de promoção econômica é uma das principais ferramentas de atração de
novos investidores para região, que também conta com o entusiasmo das
autoridades locais.
No ano
passado, a cidade de Zug se tornou a primeira do mundo a aceitar bitcoins como
meio de pagamento de alguns serviços públicos. Em setembro, o governo local
quer oferecer aos habitantes a possibilidade de pedir uma "identidade
eletrônica", baseada, evidentemente, na tecnologia blockchain.
O
prefeito de Zug, Dolfi Müller, disse à Agência Efe que está
"fascinado" pela tecnologia e defende a importância de não fechar os
olhos para esse tipo de inovação em um mundo que avança em passos largos. A
Suíça, diz o político, é o país da democracia direta e da descentralização dos
poderes, o "espírito que os fundadores do Crypto Valley buscavam".
O
sul-africano Johann Gevers desenvolveu sua visão de um "hub"
criptofinanceiro em 2013, tomando como exemplo o Vale do Silício, e identificou
Zug como o lugar ideal para isso.
Quando
fundou a Monetas em 2012, ele queria criar uma plataforma descentralizada de
transações e avaliou que o problema do mundo financeiro era estar "muito
concentrado e centralizado".
Na Suíça,
Gevers achou o que buscava: o sistema político mais descentralizado do mundo.
Em 2013, foi criada a Bitcoin Suíça em Zug. O sul-africano mudou sua empresa do
Canadá para a região, onde também se instalou a Ethereum, uma plataforma que
usa blockchain para fazer "contratos inteligentes" que são cumpridos
de forma automática assim que os termos entre as partes forem acertados.
Em 2014,
Zug deu um sinal de apoio ao "Crypto Valley" quando declarou livre de
impostos a primeira venda aberta de "token ether", a moeda da
Ethereum. Os tokens são valores ou ativos transferíveis que podem ser trocados
por bens e serviços futuros.
Outras
companhias foram atraídas para a região: Tezos, Xapo, ShapeShift, Akasha,
Blockchain Source, SweePay e ConsenSys se instalaram em Zug, que hoje já tem
mais de 20 empresas.
O
"Crypto Valley" ainda não tem o renome e o alcance de seu
"irmão" americano, mas isso não inquieta seus pensadores.
"Ainda
estamos na infância se medirmos isso em anos", disse à Efe Angelica Bienz,
membro da Associação Crypto Valley. "O que falta em tamanho e reputação,
compensamos com a 'proximidade' dos integrantes. O acesso entre eles é fácil, o
que fomenta o entendimento mútuo", afirmou.
Essa
proximidade gera confiabilidade e segurança entre as empresas emergentes,
explicou Bienz, o que mostra que elas podem ter uma "taxa de
sobrevivência" maior do que no Vale do Silício.
Também
influenciam os passos dados pelo governo e pelos órgãos de regulação da Suíça.
Em 2015,
a Autoridade Federal de Supervisão dos Mercados Financeiros da Suíça (Finma)
anunciou que os bitcoins serão tratados como moeda estrangeira e que não fariam
falta novas normas. Eles também foram isentos do pagamento do imposto IVA.
No ano
seguinte, uma lei de luta contra a lavagem de dinheiro foi revisada. Os
bitcoins foram classificados como transmissão monetária, mas ganharam uma
exceção para as transações que sejam realizadas de forma estritamente
bilateral.
Além
disso, os reguladores aceitaram que o armazenamento de criptoativos não
constituía um depósito bancário. Por isso, as empresas não estariam sujeitas ao
regulamento das instituições financeiras e nem precisavam de licença para
operar.
Por fim,
o governo da Suíça anunciou no ano passado a emissão de licenças para empresas
tecnofinanceiras, mas com requisitos limitados para companhias emergentes.
Fonte: EFE
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