Universidades federais dizem que só têm dinheiro para manutenção até setembro
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Universidades federais dizem que só têm dinheiro para manutenção até setembro
15/08/2017 14h23Brasília
Sabrina Craide – Repórter da Agência Brasil*
*Colaborou Daniel Isaia, de Porto Alegre
Edição: Amanda Cieglinski
Renegociação de contratos, redução nos cardápios em restaurantes
universitários, falta de recursos para manutenção, atraso no pagamento
de contas. Essa é a realidade de algumas universidades federais, que
reclamam da falta de verbas e do contingenciamento de recursos feito
pelo governo federal. O presidente da Associação Nacional dos
Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes),
Emmanuel Tourinho, diz que os valores de custeio previstos para este ano
para as universidades não são suficientes nem mesmo para as despesas
regulares com energia, vigilância, limpeza, bolsas para os alunos de
baixa renda e serviços de manutenção das instalações. “Não será
possível manter as instituições funcionando adequadamente se esse quadro
não for rapidamente alterado. Os valores liberados até agora só
garantem o funcionamento das instituições até setembro”, diz. Segundo
ele, não há recursos para concluir as obras inacabadas, e universidades
mais antigas estão com infraestrutura deteriorada por falta de recursos
para manutenção. Além disso, instituições novas estão funcionando em
prédios alugados por falta de recursos para concluir as suas instalações “É
imprescindível recompor imediatamente os orçamentos das universidades
federais. Estamos falando de um patrimônio dos mais valiosos para a
sociedade brasileira e que está sendo colocado em risco. O prejuízo no
longo prazo será incalculável”, diz Tourinho, que também é reitor da
Universidade Federal do Pará (UFPA). Na semana passada, o Ministério da Educação (MEC) anunciou
um aumento em cinco pontos percentuais no limite de empenho para
custeio e investimento de universidades e institutos federais. Com o
aumento, o limite do custeio, que é utilizado para a manutenção das
instituições de ensino, passou de 70% para 75% e o limite de capital,
utilizado para adquirir equipamentos e fazer investimentos, passou de
40% para 45%. Mesmo com a liberação, o presidente da Andifes diz
que a situação das instituições não muda, quanto a sua capacidade de
honrar compromissos até setembro. “Para 2018, o quadro é também
preocupante. Não temos ainda a previsão de recursos para investimento,
nem a correção dos recursos de custeio”, diz Trourinho. Gestão O
ministro da Educação, Mendonça Filho, diz que a meta é liberar 100% dos
valores para custeio até o fim do ano. “Estamos no meio do exercício, e
as liberações ocorrerão gradualmente, ao longo dos próximos meses, até
dezembro. Então, posso tranquilizar as universidades federais de que os
recursos serão liberados”, disse. De acordo com o MEC, neste ano já
foram liberados R$ 4,8 bilhões para limite de empenho das universidades
federais. Para 2017, o limite de empenho previsto inicialmente
para as universidades é 85% do valor previsto para despesas de custeio e
de 60% para despesas de capital. “No entanto, o MEC está trabalhando
para aumentar esse limite, assim como fez no ano passado, quando, mesmo
após o contingenciamento feito pelo governo anterior, conseguiu liberar
100% de custeio para as universidades”, diz o ministério. Segundo
o ministro Mendonça Filho os problemas financeiros enfrentados pelas
universidades muitas vezes decorrem de má gestão. “Em muitas situações
de universidades federais há divergência e desequilíbrio do ponto de
vista de capacidade gerencial. Algumas universidades não enfrentam
problemas e dificuldades, porque elas são competentes, capazes e
qualificam melhor suas gestões”, disse, lembrando que não compete ao MEC
liberar a administração de recursos nas universidades federais. UnB corta despesas e renegocia contratos UnB muda cardápio de restaurante universitário para economizarFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Na
Universidade de Brasília (UnB) , o déficit orçamentário estimado para
este ano é de R$ 105,6 milhões. A decana de Planejamento e Orçamento,
Denise Imbroisi, diz que a universidade só tem recursos para funcionar
até o mês que vem e conta com uma suplementação de crédito do governo
para se manter até o fim do ano. “Nosso objetivo é manter
funcionando de forma adequada, não a ideal, durante todo o ano. Temos
recursos orçamentários para sobreviver até o fim de agosto, início de
setembro”, informou. Desde o ano passado, a universidade vem
renegociando contratos com prestadores de serviços para tentar reduzir
as despesas. No contrato com o restaurante universitário, por exemplo,
foi possível uma redução de 15% do valor com o corte de itens do café da
manhã como suco, iogurte e chá, e adequação da proteína oferecida no
almoço - inclusão de carne de costela, rabo de boi, linguiça e
hambúrguer nos cardápios. A UnB também pediu ao MEC para que
aumente o teto de receita própria que pode ser arrecadada por meio de
alugueis ou projetos de professores. Foi solicitado também o uso do
superávit de anos anteriores, que foram para o Tesouro. UFRGS atrasa pagamento de contas Na
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a projeção é de um
déficit de R$ 40 milhões até o fim do ano. Segundo o reitor da
universidade, Rui Vicente Oppermann, a prioridade da administração é o
pagamento de terceirizados. “Hoje temos uma tomada de decisão que é
quase aquela de Sofia – onde é que vou fazer cortes? Nos últimos anos
temos feito racionalização de serviços para diminuir a despesa com
terceirizados, mas já chegamos a um limite”, contou. As despesas
compulsórias como contas de luz, água e comunicação estão sendo deixadas
de lado no momento. “Contamos com a compreensão dos prestadores desses
serviços públicos para que possamos fazer a rolagem dessa dívida sem
maiores consequências.” O segundo item na lista de corte são os serviços
de reformas e manutenção, importantes por se tratar de um campus
extenso e com prédios antigos. O reitor espera que não haja
necessidade de reduzir mais os serviços como segurança, limpeza e
fornecimento de alimentos. “Estamos confiando em um mínimo de
sensibilidade do governo na liberação de recursos para que a gente possa
chegar com pelo menos 90% do custeio liberado até o fim do ano”,
admitiu. UFRJ considera situação orçamentária crítica UFRJ reduz pessoal terceirizadoArquivo/Agência Brasil Na
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a situação orçamentária é
considerada crítica. O orçamento deste ano é 6,7% inferior ao do ano
passado. “É importante lembrar que em 2016 muitas contas somente foram
pagas até o mês de setembro, deslocando o pagamento das despesas não
pagas para o orçamento de 2017”, afirmou o reitor da UFRJ, Roberto
Leher. Nos últimos três anos, o quadro de pessoal terceirizado
foi reduzido à metade, e contratos com permissionários foram revisados. A
universidade lançou uma campanha com a meta de reduzir em 25% as
despesas com energia elétrica. A UFRJ diz que, desde 2014, a
falta de recursos afeta gravemente o funcionamento da universidade. “Nos
últimos anos, a UFRJ vem sofrendo cortes crescentes, significativos e
rigorosos, em seu orçamento, os quais comprometem sua capacidade de
funcionamento e suas possibilidades de oferecer o melhor acolhimento aos
alunos que chegam à universidade pelas novas vagas geradas no processo
de expansão e pelas cotas criadas para democratizar o acesso e a
garantia das ações afirmativas”, diz a universidade, em nota. UFMG diz que tem recursos para custeio até setembro O
reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Jaime Ramírez,
conta que só há recursos para as despesas cotidianas, como insumos e
serviços terceirizados, até setembro. “Se o governo federal mantiver a
liberação de recursos no patamar de 85% do previsto, não só a UFMG, mas
todas as outras federais vão ficar em situação grave até o fim do ano.” No
entanto, ele garante que a universidade não irá suspender as
atividades-fim, mesmo que seja preciso atrasar pagamentos de
fornecedores. Ramírez assegura que não haverá redução no pagamento de
bolsas e benefícios de assistência estudantil, pois recursos de custeio
têm sido utilizados para complementar o pagamento dos benefícios. A
administração da UFMG está trabalhando para que o governo federal
libere R$ 25,98 milhões de recursos de custeio, o que corresponde a 15%
do orçamento da universidade para 2017. O orçamento de custeio da UFMG
em 2017 é de R$ 173,2 milhões, cerca de 10% inferior ao de 2016.
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