Petrobras estuda produzir biodiesel a partir de microalgas
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Petrobras estuda produzir biodiesel a partir de microalgas
07/02/2018 06h57Rio de Janeiro
Nielmar de Oliveira - Repórter da Agência Brasil
Edição: Lidia Neves
A Petrobras trabalha no desenvolvimento de uma tecnologia
pioneira para produzir biodiesel de microalgas – alternativa aos
combustíveis derivados do petróleo, que pode ser usada em carros e ou
qualquer outro veículo com motor a diesel. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil,
a gerente de Biotecnologia do Centro de Pesquisas (Cenpes) da
Petrobras, Juliana Vaz, ressaltou o pioneirismo do projeto que, em sua
avaliação, “vai contribuir para a construção de um futuro mais
sustentável. É um projeto de vanguarda, pioneiro no Brasil e que logo
vai estar à disposição de todos”. Os resultados são promissores , segundo a gerente de Biotecnologia do Centro de Pesquisa (Cenpes) da Petrobras, Juliana VazFrancisco Alves de Souza/Banco de Imagens Petrobras Fabricado
a partir de fontes renováveis (entre elas óleo de soja, gordura animal e
óleo de algodão) ou do sebo de animais, o biocombustível emite menos
poluentes que o diesel. Do processo biológico das microalgas é produzida
uma biomassa usada para se extrair o óleo, que será matéria prima para a
produção do biocombustível. A estatal almeja chegar a produzir o
combustível feito a partir da microalga em escala comercial. “O
biodiesel produzido já foi submetido a testes de qualificação em
laboratório, sob os padrões da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural
e Biocombustíveis (ANP), e os resultados preliminares mostraram ser
promissores”, diz Juliana. As microalgas têm como principal
vantagem o fato de não ter sazonalidade (períodos de safra) e não
depender de condições específicas – de solo, por exemplo – para sua
produção. Sua fabricação possibilita colheitas "quase que semanais", com
uma produtividade até 40 vezes maior do que a da biomassa feita de
vegetais terrestres. “As microalgas têm uma produtividade muito maior do
que a soja e cana”, afirmou a pesquisadora. Benefícios para o meio ambiente A
produção a partir da microalga traz ainda vantagens ecológicas, já que
contribui para a redução de gás carbônico (CO2) do ar, um dos geradores
do efeito estufa, que causa o aquecimento global, uma das maiores
preocupações atuais com o meio ambiente. Cada uma tonelada de
microalgas usadas para a produção de biodiesel pode retirar até 2,5
toneladas de gás carbônico do ar, taxa "muito maior que a de outros
vegetais normalmente utilizados para a produção de biodiesel – seja a
soja ou da cana-de-açúcar”, disse Juliana, ressaltando que esse gás
carbônico ainda será aproveitado para a produção de um substituto dos
combustíveis fósseis. Ainda dentro do contexto de maximizar a
tecnologia, também está em estudo a possibilidade de cultivar microalgas
em águas oriundas da produção de petróleo, contribuindo no tratamento
dessa água para descarte ou para reúso. “As microalgas utilizam as
substâncias presentes na água de produção, como nitrogênio e fósforo,
como insumos para a conversão em biomassa”, explica a pesquisadora. Escala de produção As
pesquisas tiveram início em um fotobiorreator criado pelos próprios
pesquisadores do Cenpes, em pequena escala. “Já em Extremoz, no Rio
Grande do Norte, e com apoio da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN), o processo é testado em uma escala um pouco maior. O local
conta com tanques abertos, com capacidade para 20 mil litros, onde as
microalgas são cultivadas e possibilitam a avaliação do seu potencial
produtivo, da qualidade e o teor do óleo produzido”, disse. Juliana contou em primeira mão à Agência Brasilque a produção já foi ampliada e encontra-se atualmente em escala piloto, fase da pesquisa o que deverá demorar de 2,5 a 3 anos. A
partir dessas avaliações, o processo será testado em escala
demonstrativa, em um cultivo que atingirá de 50 a 100 hectares de
tanques abertos. “Seria uma fase semicomercial, para efetivamente
sabermos se há condições de se produzir este combustível em escala
comercial e de forma competitiva. E aí entra a fase de estratégia de
definição de análise de custo para certificar se efetivamente ele poderá
entrar no mercado”, explicou. Também está sendo pesquisado o uso
das microalgas na produção de bioquerosene de aviação (BioQAV), em
parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também há
parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais,
para a produção do biocombustível. “As pesquisas se pautaram muito, no
início, no domínio do cultivo para a produção do óleo, que uma vez
produzido, pode ser utilizado para finalidades diversas, inclusive do
BioQAV”, afirmou Juliana. Para a pesquisadora, é necessário
garantir a viabilidade econômica para que a produção chegue à escala
comercial. “A atual dificuldade a ser vencida com as pesquisas é a de
otimizar o processo de tal forma que garanta viabilidade econômica e um
balanço energético mais positivo, através principalmente do aumento do
teor de óleo produzido pelas microalgas", afirma. Futuro baseado em baixo carbono Apesar
do período de crise por que passou a Petrobras e da necessidade de
cortar investimentos e de de vender ativos para se capitalizar e reduzir
o nível de endividamento – inclusive com a perspectivas de venda da
PBio, braço da estatal para o setor de biocombustíveis), a companhia
mantém a atenção voltada para esse tema. “A Petrobras passou
recentemente por uma fase difícil, do ponto de vista financeiro, com um
grau de endividamento bastante elevado, mas isso não nos fez descuidar
do futuro. Tanto que, no nosso plano de negócios, uma das diretrizes é
de que a companhia vai se preparar para um futuro baseado numa economia
de baixo carbono”, como é o caso do biocombustível de microalgas, diz
Juliana.
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