Plataforma otimiza uso de recursos hídricos em bacias hidrográficas
Gerar link
Facebook
X
Pinterest
E-mail
Outros aplicativos
Plataforma otimiza uso de recursos hídricos em bacias hidrográficas
16/02/2018 12h24Brasília
Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil
Edição: Lidia Neves
A um mês do 8º Fórum Mundial da Água, o
pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
Cerrados, Lineu Neiva Rodrigues, se prepara para apresentar no evento
uma plataforma de manejo de irrigação e recursos hídricos em bacias
hidrográficas que está em desenvolvimento no órgão. O Fórum ocorre em
Brasília entre 18 e 23 de março. O sistema computacional utiliza
equipamentos instalados no campo e imagens de satélite para sugerir a
melhor opção de irrigação para os produtores. “A ferramenta vai dar uma
opção, uma sugestão de como podem utilizar a água. Mas a decisão é dos
usuários”, disse. A plataforma busca contribuir para otimizar o uso dos
recursos hídricos e a irrigação em uma determinada bacia, segundo o
engenheiro agrícola. Segundo
o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa)Lineu Rodrigues, apenas 3% da agricultura brasileira usa água
de rio para a irrigação, por ser um sistema caro Marcelo Camargo/Agência Brasil Veja a seguir os principais trechos da entrevista de Lineu Rodrigues à Agência Brasil. Agência Brasil: Como surgiu o projeto? Lineu Rodrigues:
Esse estudo surgiu da demanda da sociedade. Em algumas bacias
hidrográficas há problemas, como a bacia do Rio São Marcos, que tem
conflitos sérios de água entre irrigantes, conflito entre irrigantes e
uma usina hidrelétrica [de Batalha, em Paracatu (MG)], conflito entre
estados porque essa bacia abrange Distrito Federal, Minas Gerais e
Goiás, cada um com seus critérios de outorga, e também com a Agência
Nacional de Águas e as agências estaduais.
Agência Brasil: Em que consiste a ferramenta? Rodrigues: No
nosso projeto, uma abordagem que tem ganhado corpo é a gestão
compartilhada da água. Nesse contexto, os usuários precisam ter uma
ferramenta que os possibilite usar a água de forma organizada. Esse
projeto cria uma ferramenta para que os usuários, dentro da gestão
compartilhada da água, possam indicar como essa água poderia ser
utilizada. Estamos usando diversas ferramentas, inclusive imagens de
satélites, para monitorar a quantidade de água que está sendo utilizada,
e por meio desse monitoramento, poder informar ao agricultor quanta
água ele está utilizando, quanto o vizinho dele está utilizando e o
quanto de água tem no rio. É uma ferramenta computacional que depende de
equipamentos instalados no campo. Com isso, a gente faz um balanço de
água na bacia e vai informar o quanto de água está sendo demandado em
determinado momento e se tem água suficiente para atender a demanda. Agência Brasil: Quando o projeto poderá ser implantado? Rodrigues: Esse
projeto é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito
Federal, está em andamento e tem mais um ano para ser finalizado. Temos
resultado do monitoramento por satélite para as culturas do trigo e da
soja nas bacias do Rio Buriti Vermelho [no DF] e do Rio São Marcos. A
gente conseguiu estimar a demanda [por água] via imagens de satélite. Agência Brasil – A quem se destina essa ferramenta? Rodrigues –Não
queremos ficar com esse instrumento para nós [pesquisadores] nem para o
governo. A ideia é fortalecer os usuários, os comitês de bacias
hidrográficas, que essa ferramenta seja passada para as associações de
irrigantes, de produtores, de tal forma que eles se organizem e tomem a
decisão da melhor forma de usar a água dentro do critério de gestão
compartilhada. Agência Brasil –Qual o panorama da irrigação no país? Rodrigues
– Há dois tipos de agricultura: agricultura de sequeiro, que depende da
água da chuva – 97% da nossa agricultura é de sequeiro e 3% é de
irrigados, em que, quando falta água da chuva, tira-se água do rio para
complementar. No geral, no sistema de irrigação, até porque o preço da
energia é muito caro, os produtores usam água de forma racional. Lógico
que tem casos e casos. Nos casos em que se observa maior ineficiência, o
produtor acaba pagando, por causa do preço da energia. Na agricultura
irrigada, a grande maioria procura usar a água de forma adequada. Aí
entra nossa função de dar subsídios para as pessoas de como usar a água
de forma organizada porque muitos não podem pagar um consultor. No
Brasil, em geral, usamos menos de 1% da nossa disponibilidade hídrica. O
problema é que temos bacias críticas, que têm mais aptidão agrícola com
uso intensivo da agricultura irrigada. Mais informações sobre o fórum podem ser obtidas no site do evento.
Comentários
Postar um comentário
Todas postagem é previamente analisada antes de ser publicada.