Arizona quer usar baterias
para guardar energia e suprir demanda no verão
EFE Tucson
(EUA)
9 mai
2018
Foto
cedida pela Arizona Public Service (APS). EFE
As zonas
desérticas do Arizona, no sudoeste dos Estados Unidos, onde as temperaturas
superam os 37ºC no verão, oferecem o cenário ideal para projetos renováveis,
como o armazenamento de energia em baterias para ajudar no abastecimento
durante as horas de pico de consumo.
A Arizona
Public Service (APS), em parceria com a First Solar, está desenvolvendo a
primeira rede de armazenamento de energia solar em baterias de íon de lítio no
estado. A previsão é que o projeto comece a operar em 2021, com capacidade para
65 megawatts (MW).
Essa
energia é suficiente para que a APS, uma empresa pública que opera em 11 dos 15
condados do Arizona, consiga atender 2,7 milhões de pessoas, especialmente em
dias de verão. Entre 15h e 20h, os aparelhos de ar-condicionado não são
desligados nesses locais.
"O
primeiro passo é a construção dos painéis solares que alimentarão o
projeto", disse à Agência Efe o diretor de recursos e planejamento da APS,
Jeff Burke.
"A
bateria terá um período de operação de três horas, sendo utilizada durante o
período de maior demanda", explicou.
Atualmente,
a APS cobre os horários de pico em cidades como Phoenix com o uso de usinas de
gás natural, o sistema mais utilizado pelas companhias do país para gerar
energia durante a faixa horária.
No entanto,
várias empresas e especialistas veem a geração e o armazenamento de energia
solar como o caminho a seguir, deixando para trás a queima de carvão ou gás
natural. O mercado das baterias de íon de lítio está crescendo, reduzindo os
custos de operação.
"As
usinas geradoras de eletricidade e os investidores estão vendo grandes
oportunidades na geração de energia solar e formas de armazená-la para ser
utilizada quando a demanda aumenta", explicou o analista da consultora
GTM, Daniel Finn-Foley, que aponta a progressiva queda dos preços das baterias
como um fator-chave.
A
tecnologia, porém, enfrenta desafios, como a necessidade de mais incentivos
financeiros e isenções fiscais que permitam diminuir o impacto do investimento
inicial. Propostas já estão nas mãos dos órgãos reguladores federais e
estaduais, que já dão passos para avançar nesse sentido.
Os
investidores e companhias do setor trabalham agora para desenvolver baterias
com mais capacidade de armazenamento. As companhias de energia ainda teriam que
topar pagar um preço mais alto por um sistema que consegue diminuir os
problemas de intermitência dos painéis solares, como consequência dos dias
nublados e das noites.
Especialistas
como Judy Chang, diretora do The Brattle Group e coautora de um estudo sobre o
futuro do armazenamento da energia solar nos EUA, disseram à Efe que a
indústria tem potencial de crescimento de até 50.000 MW nas próximas décadas.
"Tudo
isso dependerá especialmente de que o custo das baterias continue diminuindo e
de regulações estatais como as recentemente decretadas pela Comissão Reguladora
de Energia, que eliminaram algumas das barreiras que restringiam o avanço da
tecnologia", avaliou Chang.
Estados
como Havaí, Califórnia, Nova York, Massachusetts, Nevada e o próprio Arizona lideram
o desenvolvimento de armazenamento de energia solar em baterias nos EUA.
María
León.
Fonte: EFE
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