Poluição por microplásticos atinge até a Antártica, alerta estudo
Estudo alerta
para contaminação de uma das regiões mais remotas e pristinas da Terra
por microplásticos e compostos químicos tóxicos
11 jun 2018, 16h35 - Publicado em 11 jun 2018, 16h34
Pesquisador coleta amostras da superfície gelada da Antártica. (Christian Aslund/ Greenpeace/Divulgação)
São Paulo – Nem as regiões mais remotas e pristinas da Terra estão a salvo da poluição por plásticos. Um novo estudo produzido pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, em parceria com a ONG ambientalista Greenpeace, relata a contaminação de amostras de neve e água da Antártica por micropartículas de polímeros sintéticos.
Medindo menos de 5 milímetros de
diâmetro, as micropartículas plásticas são uma das maiores ameaças
ambientais emergentes da atualidade, segundo a ONU. Sua ampla dispersão
pelos ecossistemas marinhos e dificuldade de degradação põem em risco a
saúde dos organismos que habitam os oceanos, e afetam toda a cadeia alimentar.
A origem dessa poluição ainda não é
conhecida. Outros estudos são necessários para monitorar e traçar o
caminho dos resíduos plásticos até a região. Eles podem vir de várias
fontes, como navios, estações de pesquisa científica e ainda por meio
das correntes marítimas.
O estudo
é parte de uma campanha global para criar o maior santuário marinho ao
redor das águas da Antártica e proteger o frágil ecossistema da região
dos efeitos das mudanças climáticas e de atividades de pesca predatória.
No começo do ano, os pesquisadores
passaram três meses coletando amostras de neve e água nas regiões mais
remotas da Antártica e constataram que a maior parte delas continham
traços de contaminação por microplásticos.
A análise foi realizada nos laboratórios
da Universidade de Exeter: das 8 amostras de água analisadas, sete
continham fibras de materiais plásticos, incluindo o famoso poliéster,
muito empregado na produção de tecidos e malhas, seguido do
polipropileno, empregado na produção de embalagens e artigos
descartáveis.
Também foram encontras microfibras de
náilon, que, por sua elasticidade, é bastante utilizado na fabricação de
roupas esportivas e de banho.
Navio do Greenpeace na Antártica. (Christian Aslund/ Greenpeace/Divulgação)
Contaminação química
Sete das nove amostras de neve coletadas
durante a mesma expedição continham ainda compostos tóxicos conhecidos
como PFCs, sigla de produtos químicos perfluorados.
Compostos PFCs, também chamados de PFASs,
são usados para fabricar artigos com características impermeabilizantes
e antiaderentes, como panelas não aderentes (de teflon), tecidos,
tapetes, revestimentos de embalagens e de cosméticos.
Em 2015, um grupo de 200 cientistas publicou um consenso
alertando para os riscos que os PFCs representam para a saúde, como sua
capacidade de “imitar” hormônios e, até mesmo, interferir na síntese
desses mensageiros químicos do corpo.
Tais compostos químicos podem viajar
milhares de quilômetros carregados pelas correntes atmosféricas, até se
depositar em neve ou chuva, caindo bem longe de seus locais de origem.
“Os resultados mostram o quão pervsasivo pode ser o impacto das atividades humanas”, disse o Greenpeace em comunicado.
De norte a sul do planeta, não há fronteiras para a poluição plástica. Estudo publicado recentemente na Nature relata que cada litro de gelo marinho do Oceano Ártico contém até 12.000 partículas microplásticas.Nem mesmo o ponto mais profundo dos oceanos escapa. Em outros estudo, pesquisadores alertaram para a presença de resíduos de materiais plásticos, incluindo uma sacola plástica, na Fossa das Marianas, um abismo que atinge mais de 11 quilômetros de profundidade no Pacífico.
Fonte: EXAME
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