Pentágono e Universidade do
Texas querem preparar o "soldado do futuro"
EFE Washington
7
set 2018
O general
James C. McConville prova um simulador de voo com realidade virtual.
EFE/Brandon Banzhaf/ cedida pelo exército dos EUA
O
exército dos Estados Unidos acaba de criar uma nova unidade destinada a
descobrir como vai ser a guerra do futuro, a fim de preparar o soldado para
ela, uma missão para a qual, pela primeira vez, o Pentágono criou um posto de
comando em uma instituição acadêmica.
Em
decisão inédita, o Departamento de Defesa dos EUA instalou o centro de controle
de sua nova unidade no prédio de Sistemas da Universidade do Texas, localizada
em Austin, onde vai trabalhar a maior parte dos 500 funcionários que formarão a
equipe, dos quais 400 serão civis.
"No
Comando de Futuros do Exército, defendemos ter qualquer conhecimento, de
qualquer fonte, para criar soluções inovadoras de maneira mais rápida e
melhor", explicou a unidade futurista em seu site.
Portanto,
o Pentágono e a comunidade científica unirão forças para delinear como serão os
conflitos armados dentro de 30 anos.
"Não
podemos resolver todos os desafios que enfrentamos sozinhos", reconheceu o
coronel Patrick Seiber, diretor de comunicações do Comando de Futuro do
Exército americano.
À frente
dessa ambiciosa missão estará o general de quatro estrelas John Murray, que se
juntou às forças armadas em 1982 e que tem experiência no Afeganistão.
"Este
deve ser um esforço de equipe, devemos trabalhar juntos para garantir que
nossos soldados tenham tudo que precisam, quando necessário, para ser
implantado, lutar e vencer no campo de batalha moderno contra um inimigo
extremamente letal", disse Murray, durante a cerimônia de inauguração do
novo comando.
Durante
meses, o Departamento de Defesa vem expressando sua preocupação sobre a
possibilidade de ajustamentos orçamentais nos últimos anos acabarem minando a
capacidade militar dos EUA em um momento crítico, quando outros países estão
aumentando seu investimento.
"No
passado, estávamos focados na guerra atual, enquanto alguns dos nossos
adversários nucleares, como Rússia e China, ou em menor grau Coreia do Norte e
Irã estavam olhando para o futuro", declarou Seiber durante entrevista por
telefone.
Embora as
tropas americanas permaneçam focadas na chamada guerra contra o terror em
países como Afeganistão, Iraque, Síria e Níger, a nova Estratégia Nacional de
Defesa afirma que a prioridade do Pentágono deve ser China e Rússia, que estão
investindo em dois novos cenários de guerra: o espacial e o cibernético.
A
formação deste novo comando, disse Seiber, é a primeira reorganização formal do
exército em 45 anos, ou seja, desde 1973, quando, após a derrota sofrida no
Vietnã, o Pentágono percebeu que não era possível continuar lutando como nos
tempos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Essa
decisão foi a semente que acabou dando frutos, como os helicópteros Black Hawk
e o sistema de mísseis Patriot.
A questão
que surge em Washington agora é o que poderiam ser os novos elementos que
inclinam a balança no campo de batalha.
"Há
seis prioridades que surgiram nesta modernização: a precisão de disparo de
longo alcance, o desenvolvimento de veículos de combate de próxima geração, as
plataformas de elevação vertical, a formação de um exército mais móvel e
rápido, os sistemas de defesa aérea e antimísseis e um soldado mais
letal", enumerou Seiber.
Durante a
cerimônia de abertura da nova unidade de comando, o general Mark Milley, chefe
do Estado-Maior do exército dos EUA, também ressaltou a importância de campos
como robótica e inteligência artificial, nos quais o setor privado e o mundo
acadêmico podem ser decisivos.
"Sabemos
que há uma infinidade de tecnologias emergentes que terão, quer queiramos ou
não, um impacto sobre como são realizadas operações militares. Este comando vai
determinar a vitória ou derrota...", frisou Milley.
Rafael
Salido.
Fonte: EFE
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