Pesquisadores americanos
desenvolvem "metal mais resistente do mundo"
EFE Phoenix
(EUA)
7 set
2018
O
pesquisador uruguaio Nicolás Argibay. EFE/ cedida por Sandia National
Laboratories
Uma
equipe de pesquisadores dos Laboratórios Nacionais Sandia, nos Estados Unidos,
alega ter desenvolvido o "metal mais resistente ao desgaste no
mundo", uma liga de platina e ouro baseada na junção de microestruturas,
afirmou um dos cientistas à Agência Efe.
Cem vezes
mais durável do que o aço, o novo composto, ainda sem nome, foi conseguido com
90% de platina e 10% de ouro. A inovação está nas proporções, no cálculo dos
átomos e no processo de fabricação que os cientistas utilizaram para conseguir
a alta resistência.
O
pesquisador principal, o uruguaio Nicolás Argibay, afirmou à Efe que a equipe
se dedicou durante uma década para desenvolver modelos sofisticados para prever
os efeitos do atrito dos metais.
"Foi
este trabalho o que nos guiou para a nova liga de metais específica resistente
ao desgaste, mas passamos os últimos quatro anos a desenvolvendo", disse.
Usando um
exemplo para explicar a conquista, Argibay contou que a liga de metais é tão
dura que, se fosse fabricados pneus para automóveis com ela, eles sofreriam um
desgaste de uma pequena camada de átomos por cada quilômetro percorrido.
"Nosso
trabalho mostra que há formas de adaptar as microestruturas dos metais para
dividir uma notável resistência mecânica e ao desgaste. Especificamente,
chamamos de 'engenharia de limite de grão", afirmou.
Argibay
explicou que esta descoberta pode poupar a indústria da eletrônica mais de US$
100 milhões por ano somente em materiais, e fazer com que os produtos
eletrônicos de todos os tamanhos e em muitas indústrias se tornem mais
rentáveis, duráveis e confiáveis.
"Pelo
menos, esperamos que estas ligas de metais proporcionem uma melhoria
substancial sobre os revestimentos que já são usados amplamente na eletrônica,
que essencialmente consistem em ouro quase puro. Nossa liga de metais
proporciona uma vida útil muito mais longa", disse.
O
pesquisador também explicou que a inovação tem usos potenciais muito amplos:
visa transferir a liga de metais de platina e ouro a uma variedade de produtos
comerciais a curto prazo.
"Esperamos
que este trabalho conduza a outras ligas de metais com propriedades similares
para seu uso em aplicações não elétricas. Por exemplo, engrenagens, motores de
automóveis", citou.
De acordo
com o uruguaio, desde sistemas aeroespaciais e turbinas eólicas até a
microeletrônica para telefones celulares e sistemas de radar podem se beneficiar
com o novo material, já que foram levadas em conta as limitações atuais de
confiabilidade dos componentes microeletrônicos metálicos.
"Este
trabalho tem um potencial significativo para o impacto econômico e de
engenharia. Esperamos que possa levar a melhorias radicais na confiabilidade e
no rendimento para uma ampla gama de dispositivos comerciais, incluindo o
desenvolvimento de produtos eletrônicos de consumo de última geração e turbinas
eólicas, para nomear alguns", argumentou.
A liga de
metais conta com uma excelente estabilidade mecânica e térmica, e quase não
apresenta mudanças em sua microestrutura durante períodos muito longos de
atrito, por isso foi catalogada como uma "grande descoberta".
Os
National Laboratories Sandia são ligados à Administração Nacional de Segurança
Nuclear do Departamento de Energia dos Estados Unidos. Eles atuam em pesquisa e
desenvolvimento em dissuasão nuclear, segurança global, defesa, tecnologias de
energia e competitividade econômica. Suas principais instalações ficam nas
cidades de Albuquerque (estado do Novo México) e Livermore (Califórnia).
Beatriz
Limón.
Fonte: EFE
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