Alemanha registra recorde de energia renovável
09.01.2019Gero Rueter (av)
Pela primeira vez, mais de 40% da energia gerada no
país veio de fontes como a eólica e a solar. Mas recorde se deve também a
fatores acidentais, e governo ainda está distante de metas climáticas.
O recorde foi possível graças a um ano rico em sol, um pequeno incremento na produção eólica e uma demanda reduzida por eletricidade. Desse modo, a produção de energia a partir de fontes fósseis caiu 7% em relação a 2017, reduzindo também as emissões de dióxido de carbono (CO2).
A fonte fóssil que mais retrocedeu foi o gás natural (-18,5%), seguido pelo carvão mineral (-7%). No entanto, a eletricidade gerada a partir do linhito, especialmente nociva ao clima, só diminuiu 2%, em comparação com 2017.
"À primeira vista, o recuo das emissões pode parecer tornar mais palpável a meta de proteção climática para 2020, porém basta o próximo inverno medianamente frio e pequenas mudanças conjunturais para anular novamente a tendência positiva", alerta Patrick Graichen, do think tank Agora Energiewende. "Por isso são necessárias medidas sustentáveis de proteção climática, em especial no linhito e nos setores de transportes e de imóveis. Senão será impossível alcançar as metas climáticas para 2020 e 2030."
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) considera que ainda é possível limitar o aquecimento global a 1,5 °C, objetivo fixado no Acordo de Paris sobre o clima.
"Os governos precisam agir com maior rapidez e urgência", insta Joyce Msuya, vice-presidente do programa ambiental da ONU.
Como até lá todo o transporte urbano deve estar quase inteiramente eletrificado e também a calefação deve ser fornecida por bombas de calor, o consumo de eletricidade dobraria em relação ao atual. Para cobrir essa demanda, seriam necessárias novas turbinas eólicas com uma capacidade de 9 gigawatts por ano, assim como centrais fotovoltaicas com um mínimo de 15 gigawatts por ano. Nos últimos anos, a expansão anual nesses setores esteve em cerca de 5 gigawatts para a energia eólica e 2 gigawatts para a fotovoltaica.
Hans-Josef Fell, presidente do Energy Watch Group, uma aliança de cientistas e parlamentares, defende uma ampliação ainda maior das redes de produção de energia solar e eólica.
"Até 2030, precisamos, na Alemanha e também em todo o mundo, reduzir as emissões a zero, a fim de evitar que extremos meteorológicos destruam as bases de subsistência de parcelas cada vez maiores da humanidade", reivindica o ex-deputado da bancada federal do Partido Verde.
Fonte: DW
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