Rússia planeja lançar nave para a Lua em 2021


Rússia planeja lançar nave para a Lua em 2021

EFE Moscou
10 jan 2019

O responsável da agência espacial russa Roscosmos, Dmitri Rogozin, disse nesta quinta-feira que a Rússia planeja lançar uma nave à Lua em 2021.
"Decidimos retomar o programa lunar. Enviaremos a primeira nave à Lua em 2021", disse em entrevista para a rede de televisão "Rossiya 24".
Rogozin também disse que os EUA pediram à Rússia que desenvolva uma nave Soyuz modificada que possa voar para a Lua e retornar para criar "um sistema de transporte de reserva".
Segundo o chefe da Roscosmos, a agência espacial americana também pediu à Rússia que siga transportando os astronautas americanos para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) mesmo após a intenção dos EUA de retomar os voos com naves próprias.
O contrato atual para transportar os astronautas americanos em naves russas ao espaço expira no primeiro semestre de 2020.
Atualmente as relações entre a Roscosmos e a NASA passam por um momento tenso, depois que o administrador da agência espacial americana, Jim Bridenstine, cancelou a visita de Rogozin aos EUA pela preocupação de alguns senadores.
Rogozin, que se encontra na lista de russos sancionados em 2014 pelo governo de Barack Obama, disse hoje em outra entrevista que estava preparado para convidar Bridenstine à Rússia se não pudesse viajar para os EUA, uma manobra que ele atribuiu ontem às atuais tensões entre o presidente Donald Trump e o Congresso.
Nesta quinta-feira, o chefe adjunto da Roscosmos, Sergei Saveliev, falou sobre essa questão com seu colega da NASA, Al Condes, mas não foram divulgados detalhes sobre a conversa, apenas que a mesma foi "construtiva".
Rogozin também afirmou que o lançamento do orbitador Luna-26 foi adiado para 2023 e que a missão de alunissagem Luna-27 só acontecerá em 2024.
Ambas as missões estavam previstas anteriormente para os anos de 2022 e 2023, respectivamente.
O responsável da agência espacial russa também afirmou que a corporação estatal estuda a possibilidade de organizar uma missão comercial ao espaço pela rota "Yuri Gagarin", que leva o nome do primeiro homem a orbitar a Terra.
A façanha de Gagarin aconteceu no dia 12 de abril de 1961 e durou 108 minutos, com apenas uma volta em torno do planeta.
"Já começamos negociações com parceiros potenciais que estão interessados", comentou Rogozin, que também assinalou que, assim que a Rússia utilizar os foguetes Soyuz-2.1a a partir de 2020 para lançar suas naves (atualmente utiliza as Soyuz-FG), o número de voos poderá aumentar.
"Em parte, este aumento (de voos) nos trará benefícios comerciais diretos", assinalou o responsável da agência russa.
Segundo Rogozin, o acidente em outubro envolvendo o foguete Soyuz-FG, que lançou uma nave ao espaço, mas cuja cápsula que teve que retornar à Terra poucos minutos depois após os sistemas de emergência serem acionados, não diminuiu a confiança na agência russa.
Como a aterrissagem ocorreu de maneira segura, o incidente "convenceu americanos, europeus e nossos cosmonautas que, independentemente do que ocorra com os foguetes-portadores (...), nossas naves são seguras e retornam à Terra", disse Rogozin.

Fonte: EFE

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