Por que há empresas e marcas abandonando as redes sociais?
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Por que há empresas e marcas abandonando as redes sociais?
11 abril 2019
BBC
Direito de imagemGetty ImagesNem todas as empresas consideram vantajoso estar presente em todas as redes sociais
Em plena era do marketing digital, da busca por seguidores online e da popularidade dos chamados influenciadores das redes sociais,
soa estranha a possibilidade de uma marca abandonar seus canais em
redes como Facebook e Instagram. Mas, embora sejam casos isolados, eles
existem - e são protagonizados por empresas que questionam o modelo de
comunicação que as redes sociais os forçam a adotar.
O caso mais
recente é o da empresa britânica de cosméticos Lush, que afirmou o fim
de seus canais nas redes sociais a partir da próxima semana. O anúncio foi feito via Twitter, Facebook e Instagram, nos quais
a empresa tem, respectivamente, 202 mil, 423 mil e 570 mil seguidores
em suas contas britânicas. Também serão encerradas as contas das
submarcas Lush Kitchen, Lush Times, Lush Life, Soapbox e Gorilla, também
com dezenas de milhares de seguidores. "As redes sociais
cada vez mais dificultam que falemos entre nós diretamente. Estamos
cansados de lutar contra algoritmos, e não queremos pagar (às redes
sociais) para aparecer no feed de notícias de vocês (consumidores)", diz
o anúncio da marca. "Então, decidimos que é hora de dar adeus a alguns
dos nossos canais sociais e iniciar, em vez disso, uma conversa entre
nós e vocês."
"Não queremos limitar as conversas a um só lugar. Queremos que o social
volte às mãos das nossas comunidades, dos nossos fundadores aos nossos
amigos. (...) Queremos que isso esteja mais vinculado ao que nos
apaixona, e menos à caça de likes." A empresa de cosméticos concluiu sua mensagem dizendo que o anúncio
da saída das redes sociais "não é um fim, mas apenas o começo de algo
novo", e pediu que os clientes entrem em contato via e-mail, telefone ou
formulário em seu site. Direito de imagemGetty ImagesA Lush afirmou que se 'cansou de lutar contra algoritmos' e não quer pagar para aparecer no feed das pessoas
'Loucura'?
Mike
Blake-Crawford, da agência de marketing Social Chain, disse à BBC que o
anúncio da Lush dá a entender que a empresa vai dedicar mais esforços
ao trabalho com influenciadores digitais, mas a estratégia trará
desafios. "O principal deles, para mim, é como eles vão
capitalizar na conversa (com seus consumidores) sem terem uma conta
centralizada nas redes sociais, para (divulgar) seus produtos e
campanhas", opina. Outros especialistas em marketing acharam descabida a iniciativa da Lush. A
blogueira de moda e beleza Leah escreveu, em sua conta de Twitter, que
não consegue entender como a Lush pode abandonar uma conta de Instagram
com quase 600 mil seguidores. "É uma loucura", afirmou.
'Trollagem'
Direito de imagemOli Scarff/Getty ImagesRede britânica de pubs Wetherspoons disse que
gerentes estavam sendo distraídos de sua função original, que é atender
clientes
No ano passado, a rede britânica de pubs
Whetherspoons também deu adeus a sua presença nas redes sociais - embora
essa presença fosse bem menor que a da Lush. A empresa, que tem 900
pubs e hotéis no Reino Unido, deu adeus a 44 mil seguidores no Twitter,
100 mil no Facebook e 6 mil no Instagram. O argumento é de que as
redes sociais favorecem a "trollagem" e o mau uso de dados pessoais. O
presidente da rede, Tim Martin, disse à BBC que "a sociedade estaria
melhor se diminuísse seu uso de redes sociais". "Estávamos
preocupados que gerentes de pubs estavam sendo desviados (pelo esforço
de alimentar as redes sociais) de seu trabalho real, que é de servir os
clientes", explicou Martin. "Estamos indo na contramão do senso
comum, que diz que essas plataformas são um componente vital para um
negócio bem sucedido. Não acho que fechar as nossas contas nas redes
sociais vai afetar nosso negócio de forma alguma", prosseguiu o
executivo, acrescentando que os clientes da Whetherspoons podem seguir
se comunicando e se informando sobre a empresa pelo site e por sua
revista. O repórter de tecnologia da BBC Rory Cellan-Jones lembra
que as redes sociais têm sido amplamente usadas pelas empresas para
promover marcas, fazer serviço de atendimento ao cliente e outras
iniciativas de marketing. Mas tudo isso requer esforço, trabalho e
estratégia. "Administrar uma estratégia de redes sociais efetiva e
garantir que a equipe que lida com todas essas contas esteja em
consonância com a política da empresa são coisas caras, que consomem
muito tempo", explica Cellar-Jones. "Talvez para a Wetherspoons todo
esse esforço fosse mais um problema do que algo que valesse à pena."
Fora de Facebook
Há também grandes companhias que preferiram eliminar uma ou outra conta específica nas redes. Em
abril do ano passado, o empresário Elon Musk fechou as contas no
Facebook das suas empresas Tesla e SpaceX, coincidindo com a campanha
#deleteFacebook, surgida após o escândalo da Cambridge Analytica - em
que a rede social foi acusada de fornecer ilegalmente dados privados de
seus usuários para a consultoria política, que usou as informações para
fins eleitorais. Musk afirmou, porém, que sua decisão não tem a ver com o
escândalo. "Não é um ato político e não fiz isso porque alguém me
desafiou a fazê-lo. Simplesmente não gosto do Facebook. Me assusta",
disse Musk pelo Twitter. Mas a Tesla e a SpaceX continuam tendo presença no Instagram, com respectivamente 5,6 milhões e 4,6 milhões de seguidores. Outra
empresa que deixou o Facebook neste ano foi a Playboy. Cooper Hefner,
filho do fundador e atual diretor da empresa, afirmou via Twitter que
"tentamos criar uma voz para (o Facebook), que na nossa opinião continua
a ser sexualmente repressivo". "A descoberta sobre as recentes
interferências nas eleições dos EUA reforça outra preocupação que temos
acerca da forma como eles lidam com dados dos usuários - sendo mais de
25 milhões deles fãs da Playboy -, deixando claro que devemos deixar a
plataforma."
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