Direito de imagemyangna / Getty ImagesQuais países oferecem a melhor qualidade de vida digital?
A conectividade
está mudando a cultura em todo o mundo e, em muitos países, a internet
já é parte integral do dia-a-dia. Internet de alta velocidade,
acessibilidade móvel e pagamentos sem papel-moeda impulsionam cada vez
mais a economia global, e alguns países estão fortemente inclinados a
esse futuro digital.
Quais países oferecem melhores serviços
baseados em tecnologia de ponta? A InterNations - uma empresa de rede
social para imigrantes - divulgou recentemente um relatório chamado
"Digital Life Abroad" (Vida Digital em outro país, em tradução livre). O material classifica os países para expatriados com base na
disponibilidade de serviços governamentais online, a facilidade de obter
um número de celular local, a disponibilidade de internet de alta
velocidade em casa, facilidade de fazer pagamentos sem dinheiro físico e
acesso aberto à internet. Direito de imagemIrina_Strelnikova / Getty ImagesO Brasil está no fim da lista - em 50º lugar de 68 países avaliados
O Brasil está em 50º lugar no ranking do
InterNations - dentre 68 países avaliados. Conseguir uma conexão de
internet rápida em casa e um número de telefone local são os quesitos
nos quais o país se sai pior, em 62º e 60º lugar, respectivamente. Em
termos de qualidade de vida digital, o Brasil está abaixo de países
como a Sérvia (44º lugar), a República Dominicana (45º) e o Cazaquistão
(48º).
A
reportagem da BBC Travel falou com residentes dos países que estão no
topo do ranking da InterNations. Eles contam como é viver em um país
altamente conectado.
Estônia
1º lugar no ranking geral Classificada
em primeiro lugar geral na pesquisa InterNations (com primeiro lugar
nas categorias de acesso irrestrito à internet e serviços governamentais
on-line), a Estônia investiu pesadamente em sua infraestrutura digital
desde que se tornou independente da União Soviética, em 1991. O
programa governamental e-Estonia introduziu inovações como o voto
eletrônico, programas de saúde e de acesso à rede bancária por meio da
internet. Direito de imagemTerese Loeb Kreuzer/AlamyAté mesmo não-cidadãos podem abrir empresas online na Estônia
A Estônia possui inclusive uma modalidade de
'residência eletrônica': até mesmo não-cidadãos podem pedir uma
'residência virtual' que lhes dá direito a benefícios como carteira de
identidade, serviços bancários, processamento de pagamentos e capacidade
de formar uma empresa. O programa hoje é voltado para atrair os
nômades digitais e empresários estrangeiros que desejam iniciar uma
empresa com sede na União Europeia - o que, por sua vez, traz novas
oportunidades para a economia da Estônia. "O acesso à internet é
considerado um direito humano básico na Estônia. Mesmo nas remotas ilhas
estonianas, como Saaremaa, há acesso à internet", diz a empresária
austríaca Alexandra Nima, que hoje vive na capital estoniana Tallinn.
"Tudo aqui é feito o mais rápido possível, desde registrar-se como
residente até abrir uma empresa online", diz ela. O modo de vida
conectado do país faz com que até chamadas telefônicas estejam se
tornando ultrapassadas. "É muito mais fácil pedir algo por meio de um
chat", diz Tarmo Annus, morador de Tallinn. Tarmo é desenvolvedor de uma
plataforma de criptografia chamada Obyte. "Em vez de ligar para
uma loja, se ela estiver aberta durante as férias, eu simplesmente
escrevo para ela no [aplicativo de mensagens] Viber", conta ele.
Finlândia
2º lugar no ranking geral Com
pontuações consistentes em quatro das cinco categorias, a Finlândia
ocupa o segundo lugar geral em qualidade de vida digital - e é a
primeira em pagamentos sem dinheiro. O papel da internet aqui é
considerado tão importante que, em 2010, o governo tornou um direito
legal para todos os cidadãos terem acesso a uma conexão de banda larga. A
Finlândia foi o primeiro país do mundo a fazê-lo. Direito de imagemFolio Images/AlamyMuita coisa pode ser resolvida online - e em inglês - na Finlândia
"O acesso à Internet de alta velocidade - combinado
com a liberdade de expressão - torna nosso ecossistema mais sustentável e
seguro", diz Heikki Väänänen, CEO e fundador da plataforma de feedback
de clientes HappyOrNot. Ele mora em Tampere, no sul da Finlândia.
"Todo mundo tem acesso à informação e a internet dá oportunidades
iguais para aprender e impactar no futuro do país." A facilidade
de acesso on-line a serviços governamentais e a tradução automatizada de
muitos serviços é especialmente útil para os recém-chegados. "A
vida digital significa automação, como caixas de supermercado
(automatizados), e também significa serviços online em inglês, o que
facilita a rotina diária sem falar ou entender finlandês", disse Peter
Seenan, criador do blog Finland My Home. Ele viveu em na capital
Helsinque por oito anos, e é originalmente da Escócia. "Hoje em
dia, há muita informação on-line em inglês na Finlândia, desde a
contratação de um médico até o conhecimento de seus direitos como
trabalhador. Isso mudou drasticamente desde quando cheguei aqui como
estudante de intercâmbio em 2004", diz Seenan.
Israel
6º lugar no ranking geral Israel
fica em terceiro lugar nas categorias de acesso irrestrito à Internet e
em facilidade de obter um número de celular local. Direito de imagemNir Alon/AlamyAté mesmo idosos usam smartphones em Israel
O país possui um setor de tecnologia forte e
inovador. Os moradores adotaram alegremente o apelido "startup nation"
do país e poucos moradores não usam aplicativos sociais e de
comunicação. "Até mesmo os idosos têm smartphones e conversam no
Facebook ou por WhatsApp. Não é incomum você ver uma senhora nos seus 70
anos fazendo uma videochamada para os netos nos EUA, por exemplo", diz
Maria Pinelis, do InterNations. Rafael Hope é CEO da Amen V'Amen,
uma empresa de mídia digital. Ele vive num subúrbio de Tel Aviv e diz
que a internet lá é rápida, barata e confiável, o que ajuda
empreendedores iniciantes e nômades digitais. "Eu mesmo trabalho
principalmente em casa e em cafés, o que significa que confio muito na
internet pública", disse ele. "Muitas cafeterias oferecem Wi-Fi público
gratuito. E as companhias de telecomunicação de Israel oferecem Wi-Fi
público em muitas áreas metropolitanas para que seus clientes possam
usar gratuitamente", conta. Aqueles que procuram o estilo de vida
das startups geralmente vão para Tel Aviv, onde estão a maioria das
quase mil empresas deste tipo em Israel. Tel Aviv é conhecida como "a
cidade que nunca dorme" no país. "Isso certamente atrai muitos
israelenses, particularmente os jovens, que estão dispostos a suportar
os altos preços dos aluguéis em 'Tel' só para fazer parte dessa cena",
conta Hope.
Canadá7º lugar no ranking geral Em
sétimo lugar geral, o Canadá pontua bem na maioria das categorias,
particularmente na disponibilidade de serviços governamentais online e
em pagamentos sem dinheiro. A vida digital tende a ser mais fácil
nas grandes cidades, onde a tecnologia foi adotada mais rapidamente e
os serviços de internet são mais rápidos e mais acessíveis. Direito de imagemPIOTR BABIS/Alamy
A conexão pode ser ruim em áreas remotas do Canadá - mas em geral o país possui bons serviços online
"Centros maiores como Toronto são mais amigáveis à
vida digital", disse o canadense Eric Wychopen, que é blogueiro do site
Penguin and Pia. "Métodos de pagamento sem dinheiro, inclusive pagamento
com celular, certamente estão em alta em lojas menores e mais novas". O
acesso à internet aqui tende a ser mais caro do que em outros países,
porém, e a cobertura em áreas remotas pode ser irregular. "O
Canadá costuma encabeçar várias listas de países com acesso mais caro à
Internet, além de apresentar um serviço de banda larga relativamente
lento", disse Thomas Jankowski, diretor da plataforma de negociação de
criptomoedas Coinsquare. Mas, de modo geral, a disponibilidade de
serviços governamentais online e o acesso a serviços em geral por meio
da internet são de grande ajuda para empreendedores - facilitando a
abertura e o gerenciamento de negócios. "Ser capaz de iniciar e
operar uma empresa on-line, lidar com operações bancárias,
contabilidade, pagar contas, renovar documentos a partir de casa, de um
café, ou até mesmo uma barraca (no caso de um camping com Wi-Fi), pode
ser maravilhoso para economizar tempo e recursos de uma empresa", diz
Jankowski.
Coreia do Sul
27º lugar no ranking geral Mesmo
tendo ficado em 27º no ranking geral, a Coreia do Sul está em primeiro
lugar em termos de velocidade da internet doméstica - é um país que
permite aos seus residentes trafegar em altíssima velocidade na web. Direito de imagemITAR-TASS News Agency/AlamyA Coreia do Sul tem a internet doméstica mais rápida do mundo
"A vida cotidiana na Coreia do Sul se move muito
rápido. Você consegue comprar comida online e pagar por ela em cinco
segundos", disse Choi Ye Eun, de Seul. Além de pegar o primeiro
lugar em velocidade da conexão doméstica, o país também tem as maiores
velocidades de internet do mundo, o que significa que opções de
entretenimento de jogos a streaming de vídeo são acessíveis em qualquer
lugar. "É uma coisa incrível: não ficamos entediados no trem porque
podemos assistir ao YouTube e navegar pelas hashtags do Instagram", diz
Choi. O morador de Seul Lee Namoo (Martin) concorda. "A velocidade
da internet na Coreia é a inveja do mundo. Eu posso ter certeza de que o
meu streaming de vídeo será ininterrupto, de que vou conseguir fazer
downloads rápidos de jogos e mídia, e de que comunicações, como chats de
vídeo, vão funcionar plenamente". O governo permite acesso à
Internet relativamente aberto no país, diferente do que ocorre na
vizinha China ou na Coreia do Norte. Isto levou os cidadãos da Coreia do
Sul a se tornarem mais engajados civicamente. "A igualdade
digital trouxe o avanço da democracia na Coréia do Sul", diz Choi. "O
acesso irrestrito à Internet ajudou os cidadãos a se interessarem mais
pelos problemas sociais e permitiu que eles se mobilizassem mais
facilmente contra uma decisão errada de um político", diz. A
mídia social recebeu o crédito direto pelo fortalecimento dos protestos
de 2016-2017, que provocaram a renúncia da ex-presidente Park Geun-hye
por abuso de poder e corrupção. A Coreia do Sul também foi atingida em
cheio pela mobilização feminista #MeToo, que resultou em prisões e mais
conscientização sobre assédio sexual. Alguns serviços e
aplicativos, no entanto, deixam a desejar, mesmo que possam ser
acessados rapidamente. "Alguns serviços digitais aqui carecem de
usabilidade básica, e o software às vezes pode atrasar meus dispositivos
e liberar dados pessoais", disse Lee. No início deste ano,
descobriu-se que alguns aplicativos sul-coreanos para Android vazavam
senhas e dados financeiros, e o país foi classificado recentemente pela
agência Bloomberg como o país de maior risco para possíveis violações de
dados. Como alternativa aos aplicativos locais, Lee prefere usar
aplicativos dos EUA, como Amazon e PayPal, para obter uma interface mais
conveniente. Fonte: EBC
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