Reitor expõe cenário para os próximos meses na UFF

Reitor expõe cenário para os próximos meses na UFF


Os bloqueios orçamentários sofridos pelas universidades federais do país têm gerado muitas dúvidas e questionamentos, especialmente, por parte das pessoas diretamente impactadas: estudantes e, nós, servidores técnico-administrativos e docentes. Algumas atitudes já estão sendo tomadas pela gestão da UFF no intuito de reorganizar o orçamento e cumprir com as metas do ano. Mas, o que podemos aguardar para os próximos meses?

Na entrevista abaixo, realizada com o reitor da UFF, professor Antonio Claudio, destacamos as principais questões a respeito do futuro da universidade e ainda
o nosso papel, enquanto servidor, formador de opinião e agente transformador
dessa realidade.

1 - O bloqueio orçamentário das universidades tem sido pauta de discussão nacional durante alguns meses. Mas qual o cenário real da UFF neste momento? 
R: A situação atual é de expectativa com o desbloqueio do orçamento de custeio da UFF para o final de 2019. No primeiro semestre, realizamos um levantamento sobre as contas da Universidade. O estudo mostrou que as verbas básicas de custeio giram em torno de R$ 16,7 milhões por mês. Todavia, o orçamento aprovado para 2019 previa apenas R$ 14,1 milhões mensais, o que geraria um déficit estimado de 30 milhões no ano. Esse era o cenário pré-bloqueio, evidenciando que o orçamento da UFF vem passando por um processo histórico de achatamento que já inviabilizava o pagamento das contas. Para se adequar a esse montante, a gestão realizou diversos cortes, como interrupção dos celulares institucionais, redução dos carros oficiais e revisão de todos os contratos de prestação de serviços terceirizados. 
Contudo, o bloqueio realizado pelo Ministério da Educação foi de 30% da verba de custeio, cerca de R$ 52 milhões. Neste mês de setembro, não temos limite de empenho disponível para despesas correntes (energia elétrica, água, telefone, prestadores de serviço e outros) e resta somente uma proporção do orçamento do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), a qual só pode ser utilizada para despesas referentes a esta finalidade, como, por exemplo, o Restaurante Universitário. 

2 - Quais iniciativas já foram adotadas ou ainda estão previstas pela gestão para adequar as finanças (se é que é possível) diante deste quadro? 
R: Foi necessário realizar um trabalho de ajuste no primeiro semestre que permitiu encaixar os custos na Lei Orçamentária Anual de 2019. Contudo, não é possível adequar o tamanho da UFF ao bloqueio de maio. Caso o valor restante depois do bloqueio fosse dividido igualmente para o ano, estaríamos pagando somente conta de luz, água e bolsas. Isso não é praticável. Todas as universidades federais passam por situações similares. Nos últimos cinco anos, houve um subfinanciamento progressivo. As instituições já estavam cortando na carne para que as atividades não fossem severamente prejudicadas. O cenário atual não permite isso. Se não houver desbloqueio, depois de setembro, não haverá recursos para custeio regular da Universidade. 
Diante disso, criamos emergencialmente um grupo de gestão de crise e estabelecemos duas linhas de atuação. A primeira é buscar o fundamental desbloqueio da íntegra do orçamento de custeio. Estamos com agenda intensa em Brasília no Ministério da Educação, na Andifes e no Congresso Nacional para que possamos liberar os recursos para chegar ao final do ano. Conseguimos algumas vitórias importantes, como o adiantamento do orçamento para pagar as indenizações trabalhistas de prestadores de serviços terceirizados que foram demitidos ao final do contrato. Uma segunda linha de atuação é buscar créditos suplementares e parcerias em diversas frentes. Nessa linha, conseguimos a liberação de uma emenda parlamentar do deputado federal Chico D’Ângelo no valor de R$ 7 milhões de reais para despesas de custeio para o ano de 2020; e firmamos diversos acordos de cooperação com prefeituras municipais, em Niterói e outros municípios do RJ, tanto para investimentos de capital, quanto para arcar com despesas de custeio. 

3 - De que modo o contingenciamento financeiro pode afetar diretamente o trabalho dos servidores da UFF a partir deste mês (setembro), considerando, por exemplo, um possível corte de luz, água e outros serviços básicos até os benefícios oferecidos (atendimento Casq, cursos da Progepe e outros)? 
R: O contingenciamento já está afetando diretamente o trabalho dos servidores desde que foi aplicado. Esse cenário financeiro nos obrigou a não renovar ou a reduzir contratos de prestação de serviços terceirizados. Foram interrompidos os serviços de transporte pessoal, telefonia fixa e móvel; houve redução no apoio administrativo, manutenção de elevadores, computadores e outros equipamentos do patrimônio.  

4 - Como os técnicos administrativos e docentes podem contribuir com a Universidade na redução das despesas orçamentárias? 
R: É muito importante que nossa comunidade interna compreenda que as restrições orçamentárias federais impactam diretamente o funcionamento da UFF. Naturalmente, isso gerará toda sorte de desconfortos e insatisfações. O principal gasto que temos é de conta de energia. Começamos uma campanha de conscientização para intensificar a economia de luz. A adesão dos servidores é importante, desligando luzes, equipamentos e aparelhos de ar condicionado dos setores ao final do expediente. 

5 - Qual mensagem a UFF pode deixar para os servidores neste momento difícil que a Universidade está enfrentando?
R: A situação é muito difícil. Não podemos esconder isso de nossa comunidade interna. Mas estamos otimistas e trabalhando duro, em conjunto com a Andifes, para o desbloqueio do orçamento em 2019. Não cogitamos o fechamento da Universidade e, em hipótese alguma, faremos esta recomendação. Vamos resistir até o fim, porque a UFF é uma instituição gigante e de qualidade reconhecida em ensino, pesquisa e extensão, que tem enorme impacto no cotidiano de milhares de pessoas e que contribui significativamente para o desenvolvimento econômico do estado do Rio de Janeiro e do Brasil. 
Fonte: UFF

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