Tecnologia, e não comércio,
é a culpada por áreas serem "deixadas para trás", diz FMI
Por
Howard Schneider
Sede do
FMI em Washington 08/04/2019 REUTERS/Yuri Gripas
DENVER
(Reuters) - A crescente divisão entre regiões bem-sucedidas e “atrasadas” nos
países desenvolvidos tem sido amplamente impulsionada pelas tendências de
automação e produtividade, e não pelo comércio global, disse o Fundo Monetário
Internacional em um relatório divulgado nesta quarta-feira, antes de suas
próximas reuniões anuais.
“Choques
comerciais... não parecem conduzir as diferenças no desempenho do mercado de
trabalho entre regiões defasadas e as outras regiões, no geral”, concluiu o
FMI. “Por outro lado, os choques tecnológicos... aumentam o desemprego em
regiões mais vulneráveis à automação, com regiões atrasadas e mais expostas particularmente
prejudicadas”.
Embora os
resultados possam diferir por país -o FMI disse especificamente que suas
descobertas não eram inconsistentes com pesquisas que constataram grandes
deslocamentos comerciais nos centros de manufatura dos Estados Unidos- no mundo
desenvolvido como um todo “choques da concorrência de importações... e da
ascensão econômica da China não têm impactado nos efeitos médios sobre o
desemprego regional em uma ampla amostra de economias avançadas”.
A questão
está no centro do debate sobre a globalização, como ela afetou grupos de
eleitores politicamente influentes em alguns países e se a cura protecionista
buscada por alguns políticos representará riscos para o crescimento global, que
deixam todos em pior situação. Certamente é com a possibilidade de isso estar
acontecendo que as autoridades do FMI se preocupam, à medida que os fluxos
comerciais globais diminuem.
Embora a
concentração de empregos e riqueza em regiões de um país possa ser uma
“característica normal do crescimento” que eventualmente traria benefícios de
“recuperação” para outras áreas, o FMI disse que o processo de “convergência”
no mundo desenvolvido desacelerou ou parou.
Áreas que
sofrem de “ineficiências persistentes” podem correr o risco de serem deixadas
para trás para sempre, disse o FMI, uma situação que “pode alimentar
descontentamentos e polarizações políticas, corroer a confiança social e
ameaçar a coesão nacional”.
Fonte: Reuters
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