UFF é selecionada para o Programa da CAPES de combate ao derramamento de óleo nos mares
Escrito por jornalismo
11 fev 2020
11 fev 2020
Crédito da fotografia: Divulgação
Diante desse desastre, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) criou em novembro de 2019 o “Programa Entre Mares”. A iniciativa tem como objetivo apoiar programas de pós-graduação stricto sensu que, em suas linhas de pesquisa, tenham estudos direcionados à finalidade de combater, analisar o impacto e propor soluções para o vazamento de óleo, especialmente para a região Nordeste.
Um dos doze projetos selecionados pelo Programa Entre Mares, dentre os 278 inscritos, foi intitulado “Avaliação dos prejuízos ambientais e socioeconômicos do derrame de óleo a médio e longo prazo”, do Laboratório de Radioecologia e Alterações Ambientais (LARA) da UFF, liderado pelo professor de Física Roberto Meigikos. Nessa pesquisa, estão envolvidos quatro docentes e oito estudantes de pós-graduação que atuam no setor.
Sendo a contraparte brasileira da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), o LARA visa se tornar centro de referência em pesquisa científica ambiental. “Nossa infraestrutura física e de capacitação humana possui respaldo para atuar em temas de acidificação oceânica, eutrofização, florações de algas nocivas, poluentes em geral e seus impactos em ecossistemas marinho-costeiros. Foi o nosso envolvimento com esses temas ambientais de ponta que colaborou para a seleção deste projeto”, explica o coordenador.
Estamos aplicando as técnicas mais modernas e inovadoras que existem e esperamos daqui a dois anos mostrar como os ecossistemas atingidos estão se recuperando, com informações que demonstrem concretamente que o meio ambiente não pode ser tratado com o descaso que infelizmente está ocorrendo", finaliza o pesquisador Roberto Meigikos.
O vazamento de óleo e seus impactos
Roberto ressalta que um vazamento nessa escala é capaz de produzir graves danos à biodiversidade marinha devido a sua toxicidade. “Diversos seres da fauna marinha foram encontrados cobertos por esse óleo, além da presença no conteúdo estomacal dos organismos. O estresse devido à presença de óleo na costa é duradouro. Os compostos químicos do derivado de petróleo podem permanecer na água por anos, mesmo que por vezes não sejam visíveis. Portanto, é importante avaliar a extensão da costa atingida”.
A análise do processo de contaminação de animais também é de extrema relevância para a compreensão dos prejuízos ambientais e socioeconômicos desta catástrofe. “É possível decifrar as origens dos compostos orgânicos e inorgânicos e como estes podem interferir dentro da cadeia alimentar. Estas informações permitirão alimentar um sistema para fins de elaboração de medidas mais eficazes no uso sustentável do meio ambiente, além de prevenir outros desastres dessa natureza que possam acontecer”, discorre o professor.
Para ilustrar, ele explica os impactos de um derramamento de óleo na cadeia alimentar oceânica. “As microalgas, por exemplo, estão na base da alimentação de peixes e outros organismos. Desta maneira, os impactos em organismos neste nível da cadeia são transferidos para os níveis superiores. Sendo o peixe uma das proteínas animais mais consumidas no mundo, é importante avaliar os possíveis resultados disso e mensurar a influência da contaminação na relação nutritiva desse alimento”.
O LARA pretende desenvolver instrumentos, técnicas, protocolos, metodologias, serviços e outros produtos relacionados à preservação e recuperação da biodiversidade ambiental. Estamos aplicando as técnicas mais modernas e inovadoras que existem e esperamos daqui a dois anos mostrar como os ecossistemas atingidos estão se recuperando, com informações que demonstrem concretamente que o meio ambiente não pode ser tratado com o descaso que infelizmente está ocorrendo", finaliza o pesquisador Roberto Meigikos.
Fonte: UFF
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