Coronavírus: as mutações do Sars-Cov-2 que intrigam cientistas
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Coronavírus: as mutações do Sars-Cov-2 que intrigam cientistas
Rachel SchraerReporter de saúde da BBC News
6 maio 2020
Direito de imagemGetty ImagesPesquisadores acompanhas mudanças nas estruturas pontudas da cápsula do vírus
Pesquisadores nos EUA e no Reino Unido identificaram centenas de mutações no Sars-Cov-2, o vírus que causa a covid-19.
Mas
ainda não está claro o que isso significará para a disseminação do
vírus na população e para a eficácia de uma possível vacina. Vírus
normalmente sofrem mutações. A questão é: qual dessas mutações no
Sars-Cov-2 realmente altera a gravidade ou infecciosidade da doença? Pesquisas preliminares nos EUA
sugeriram que uma mutação específica — D614G — está se tornando
dominante e pode tornar a doença mais infecciosa, mas o estudo ainda não
foi revisado por outros cientistas nem publicado formalmente. Os
pesquisadores, do Laboratório Nacional Los Alamos, no Novo México, vêm
acompanhando as mudanças nas "pontinhas" da cápsula do vírus, que lhe
conferem a forma de "coroa", usando um banco de dados chamado Iniciativa
Global sobre Compartilhamento de Todos os Dados sobre Influenza
(GISAID). Eles
observaram que parece haver algo sobre essa mutação específica D614G
que a faz crescer mais rapidamente — mas as consequências disso ainda
não são claras. A equipe de pesquisa analisou dados do
Reino Unido de pacientes com coronavírus em Sheffield. Embora as pessoas
com essa mutação específica do vírus parecessem ter uma quantidade
maior do vírus em suas amostras, os cientistas não encontraram
evidências de que elas ficaram mais gravemente doentes ou ficaram no
hospital por mais tempo.
'Mutação não é uma coisa ruim' Outro estudo da University College London (UCL) identificou 198 mutações recorrentes no vírus. "Mutações
em si não são uma coisa ruim e não há nada que indique que o Sars-CoV-2
esteja sofrendo mutações mais rápidas ou mais lentas do que o
esperado", afirma François Balloux, um dos autores desse estudo. "Até agora, não podemos dizer se o Sars-CoV-2 está se tornando mais ou menos letal e contagioso." Um
estudo da Universidade de Glasgow, que também analisou mutações, disse
que essas mudanças não representam diferentes cepas do vírus. Eles
concluíram que apenas um tipo de vírus está circulando atualmente. O monitoramento de pequenas alterações na estrutura do vírus é importante para o desenvolvimento de vacinas. Um
exemplo disso é o vírus da gripe, que sofre uma mutação tão rápida que a
vacina precisa ser ajustada todos os anos para lidar com a cepa
específica em circulação.
Desenvolvimento de remédios
Muitas
das vacinas contra covid-19 atualmente em desenvolvimento têm como alvo
"pontinhas" diferentes da estrutura externa do vírus — a ideia é que
fazer com que o organismo reconheça um elemento único do vírus o ajudará
a combater o vírus todo.
Direito de imagemGetty ImagesMutações podem afetar o desenvolvimento de remédios e vacinas
Mas se essa estrutura estiver mudando, uma vacina desenvolvida dessa maneira pode se tornar menos eficaz. No
momento, tudo isso é teórico. Os cientistas ainda não têm informações
suficientes para dizer o que as alterações no genoma do vírus
significam. Lucy Van Dorp, coautora do estudo da UCL, diz que a
análise de um grande número de genomas de vírus pode ser algo
"inestimável para os esforços de desenvolvimento de medicamentos". No entanto, diz ela à BBC, "existe um limite para o que os genomas podem ajudar a explicar".
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